Diane Lima para Prêmio EDP das Artes

Texto originalmente publicado no catálogo da exposição do Prêmio EDP das Artes 2018




O rio de minha idade pueril ainda vive acima do suor do cerrado retorcendo o chamado. dentro do valongo tem pirapora e santos hoje me lembra a festa do sol. sol de derramamentos.

Davi de Jesus do Nascimento


Pintar as memórias aquáticas, inundá-las em cores e banhá-las com as águas correntes que serenam outras retinas. Ato de pintura que se declara desejosa de ganhar corpo: de tomar dimensão, projetar-se para além dos dedos e tornar as pinceladas uma versão expandida de si, mas também, do outro. Nesta performance não há traço final, mas chva, rios e vidas prolongadas no peso de manusear, equilibrar, segurar e esculpir.


Dilatando-se no tempo te um espaço-específico, é em cada lembança caudalosa que a artista expande o que se espera do seu corpo racializado e propoõe outros contornos aos encontros que regem nossas memórias coletivas. Num contexto onde a dimensão utilitária da linguagem é central para os processos de emancipação, Ana Almeida é um dos expoentes de uma geração a elaborar o que chamamos de novas práticas de auto-determinação: corpos em perspectiva que anunciam um mundo onde não mais estão na posição de interdependência com o outro mas exercem suas singularidades anti-temáticas ainda que críticos sobre suas presenças no mundo.


É então por trás de cada cor e cada traço que vemos como zanzou por "corpos barranqueiros, afogou todas as carrancas das ruínas e cuidou de outras nascentes como quem bebe o leite das mangas"

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